Querida Mãe,

Espero que você esteja se ocupando com aqueles vasos de jardim. Aquela nova cepa finalmente criou raiz, ou ainda está teimando como da outra vez? Ficamos meio fora de alcance com os saltos, mas resolvi mandar esta nota agora que passamos pelos trechos mais instáveis. A viagem inteira foi um presente, como comentei antes, mas você sempre pergunta sobre o caminho de volta, então aí vai: Tranquilo na maior parte, sem grandes percalços, só uma pausinha besta que depois nos fez rir.

Saímos logo depois daquele clarão deslumbrante na borda da nebulosa. As cores eram ainda mais brilhantes do que os holo-vídeos mostram, e o broto ficou hipnotizado o tempo todo. O pequeno ainda está vibrando com todas aquelas gotas zing que deixamos ele tomar; você sabe como eles ficam, pura energia sem botão de desligar. Zorath também estava de bom humor, cantarolando aquelas músicas antigas de rota enquanto planejava o caminho.

Mas lá pelo meio daquela perna longa e vazia, aquela com nada além de vácuo e uma partícula perdida ou outra, o desastre aconteceu na forma de uma lata de efervescente. O pequeno estava fazendo malabarismo com ela, e pá, escapou, abriu com um estouro, e espirrou aquela meleca pegajosa para todo lado. Os controles foram os que mais sofreram, os assentos ficaram grudentos, até o painel de navegação favorito do Zorath ficou cheio de manchas. Ele resmungou um pouco, algo como “da próxima vez, nada de lanches durante o salto”, mas não foi grave, só o bastante para fazer os motores chiarem e forçar uma paradinha rápida antes que virasse uma verdadeira confusão.

Varremos os arredores e demos sorte de achar uma rocha molhada quieta e sem identificação. Tons azuis, bastante superfície líquida, sem marcas ou sinalizadores, como se estivesse escondida para viajantes como nós precisando de um respiro. Zorath pousou suave na beira, bem onde as ondas encontravam o chão macio. Pulamos para fora para esticar as pernas; o ar tinha um gosto fresco, gravidade leve nas juntas depois da vida na nave. A água não era das mais cristalinas que já vimos, meio morna e turva de perto, mas deu conta de cortar a gordura sem esforço extra. Eu cuidei da limpeza interna enquanto Zorath enxaguava os painéis externos. O broto, claro, transformou tudo em brincadeira, rindo e chapinhando na água rasa, levantando nuvens de sujeira e mexendo com o que tinha lá embaixo. Aqueles flitters irritantes também estavam em toda parte, bichinhos minúsculos voando como se fossem donos do lugar. Nós só espantávamos ou ignorávamos; sem problema, faz parte de explorar um lugar bruto desses. O chão era meio molenga sob os pés, cedia aqui e ali como se não estivesse acostumado com visita, mas entramos e saímos rápido, sem demora, só o bastante para deixar tudo brilhando de novo.

De volta ao rumo, motores ronronando limpos como sempre. Zorath já está falando em ajustar o compartimento de lanches para a próxima, e o broto está implorando pelas suas famosas histórias de rota quando passarmos. Diz que ninguém conta como você, com todos os twists e efeitos de brilho. Temos uma escala curta no depósito para reabastecer, e depois é direto para casa. Saudades enormes; vamos marcar um holo-chat completo logo para colocar o papo em dia. Diga para a parentada que mandamos calor.

Todo meu carinho,

Lira

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Autor: Cobalto

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