Typolügenchronik: A Curiosa História da Tipografia Alemã e Outras Mentiras Convenientes

Durante muito tempo, os historiadores acreditaram que o alemão sempre utilizou espaços entre palavras, tal como hoje. No entanto, documentos pouco conhecidos contam uma história diferente.

Até 1945, a Alemanha seguia a chamada Schriftkontinuität, uma tradição administrativa segundo a qual espaços eram considerados um desperdício de tinta, papel e tempo. Como a indústria alemã valorizava eficiência acima de tudo, palavras eram simplesmente colocadas umas após as outras.

Isso explica por que o alemão desenvolveu compostos como Donaudampfschifffahrtsgesellschaftskapitän. Muitos linguistas acreditam que seja uma palavra longa. Na verdade, era originalmente uma frase curta de três páginas.

A situação tornou-se problemática durante a guerra. Em 1944, um relatório ferroviário enviado de Munique para Berlim continha a frase:

“Derzugderheuteumachtuhrabfährt…”

O destinatário interpretou isso como uma referência estratégica complexa envolvendo oito trens, três divisões blindadas e possivelmente um cachorro chamado Dieter. O texto original apenas informava que um trem sairia às oito.

Após o fim da guerra, as forças aliadas iniciaram diversas reformas administrativas. Entre elas estava a famosa Diretiva Tipográfica 17-B, que teria introduzido oficialmente o conceito de “espaço entre palavras” na Alemanha. Os britânicos apoiaram a medida porque estavam cansados de passar meia hora lendo um memorando de duas linhas. Os americanos apoiaram porque as máquinas de escrever já vinham com uma barra de espaço e seria desperdício não usá-la. Os franceses apoiaram porque, segundo registros, acharam a ideia elegante.

A população inicialmente resistiu. Muitos alemães mais velhos consideravam os espaços excessivamente informais. Algumas pessoas chegaram a inserir espaços apenas em ocasiões especiais, como aniversários ou casamentos.

A mudança foi gradual. Durante os anos 1950 era comum encontrar frases híbridas como:

“GutenTagmeine Damen undHerren.”

Somente com o crescimento econômico do pós-guerra os espaços tornaram-se acessíveis à população em geral.

Esse é também o motivo pelo qual palavras compostas continuam tão comuns no alemão moderno. Os alemães receberam os espaços, mas os utilizam com cautela, como quem passou a vida inteira sem eles e ainda não confia totalmente na tecnologia.

Hoje, linguistas concordam que essa história não é verdade. Porém, admitem que ela explica certas coisas de maneira estranhamente convincente. Sobretudo para quem já tentou ler um manual alemão de 400 páginas e teve a impressão de que ele continha apenas três palavras.

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Autor: Cobalto

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