Nigel não fazia ideia do que era a reunião.

Isso não era incomum.

O convite havia chegado três semanas antes com o título “Alinhamento Operacional do Q3 e Revisão de Sinergia com Stakeholders.” O título por si só sugeria que ninguém envolvido sabia do que se tratava a reunião.

Às 10h03, Nigel entrou na chamada do Microsoft Teams.

Já havia quarenta e sete pessoas presentes.

A maioria estava com as câmeras desligadas.

Alguns tinham fotos de perfil com montanhas, cachorros ou crianças com quem claramente preferiam estar conversando.

Alguém chamado Darren estava apresentando um PowerPoint contendo várias setas.

As setas pareciam estar colaborando entre si.

Nigel se silenciou e se acomodou na rotina familiar de acenar com a cabeça ocasionalmente para ninguém.


Às 10h17, ele lembrou que não havia leite em casa.

A mercearia da esquina ficava a aproximadamente três minutos de distância.

A reunião ainda tinha noventa e oito minutos pela frente.

Uma ideia ocorreu.

Não era uma boa ideia.

Mas era uma ideia.

Nigel conectou seu headset sem fio, colocou o telefone no bolso e saiu de casa discretamente.

A apresentação continuou.

“…se olharmos para a jornada do cliente…” Darren estava dizendo.

Nigel atravessou a rua.

Ninguém notou.

A confiança cresceu.

Ele entrou na loja.

As portas automáticas se abriram com um silvo.

Uma mulher discutia ração para gatos com intensidade surpreendente.

Nigel selecionou o leite.

Depois biscoitos.

Depois salgadinhos.

Ele raciocinou que, já que estava ali, a eficiência exigia um exercício completo de compras.

Do seu headset veio outra voz.

“Alguma opinião sobre isso, Nigel?”

Seu corpo inteiro congelou.

A loja subitamente ficou muito barulhenta.

Ele não fazia absolutamente ideia de qual era a pergunta.

Felizmente, vinte anos em ambientes corporativos o haviam preparado para exatamente esse cenário.

“Sim,” disse ele calmamente. “Acho que definitivamente há algumas considerações interessantes aí.”

Silêncio.

Então várias vozes concordaram.

“Bom ponto.”

“Com certeza.”

“Não poderia concordar mais.”

Nigel colocou um pacote de biscoitos digestivos na cesta.

A crise parecia ter passado.

Ele se aproximou do caixa.


Infelizmente, a máquina de autoatendimento tinha outros planos.

No momento em que ele passou o leite, ela anunciou:

POR FAVOR, COLOQUE O ITEM NA ÁREA DE EMPACOTAMENTO.

A mensagem ecoou pelo headset.

A conversa no Teams parou.

Nigel podia praticamente ouvir quarenta e sete pessoas se perguntando por que o alinhamento de stakeholders dele soava notavelmente como um supermercado.

Ele reagiu instantaneamente.

“Desculpem,” disse ele. “Isso é… um dos novos sistemas de notificação.”

Houve uma pausa.

“Certo,” disse Darren.

Ninguém parecia convencido.

Nigel passou os biscoitos.

ITEM INESPERADO NA ÁREA DE EMPACOTAMENTO.

Dessa vez alguém riu.

Outra pessoa se silenciou suspeitamente rápido.

Nigel pagou e se dirigiu à saída.

Ele estava quase em casa quando ouviu outra voz.

Era a Sharon do Financeiro.

Sharon raramente falava.

Quando falava, coisas tendiam a acontecer.

“Nigel,” ela disse, “você está fazendo compras?”

Nigel considerou mentir.

Mas aprendera ao longo dos anos que competência era frequentemente questionada, enquanto honestidade apenas confundia as pessoas.

“Sim.”

Outro silêncio.

Mais longo, dessa vez.

“Certo,” disse Sharon.

Então, inesperadamente:

“Você poderia pegar um pão para mim?”

Três outras pessoas imediatamente pediram itens.

Em trinta segundos, a reunião havia se transformado em um serviço informal de entregas de supermercado.

Darren continuou apresentando suas setas enquanto Nigel anotava os pedidos.

Ao final da sessão, ele havia adquirido pão, ovos, saquinhos de chá e, por razões que ninguém conseguia explicar adequadamente, uma pá de jardinagem.


A reunião terminou ao meio-dia.

Nenhuma decisão foi tomada.

Nenhuma ação foi atribuída.

Ninguém conseguia articular claramente o que havia sido discutido.

No entanto, oito funcionários haviam concluído com sucesso suas compras semanais.

A gerência descreveu a reunião posteriormente como altamente produtiva.

O que, pelos padrões corporativos, era difícil de contestar.

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Autor: Cobalto

Link: https://cobalto.net/posts/the-meeting-1/

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